quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Varejo Socialmente Responsável


Cresce cada vez mais a expectativa dos consumidores com relação às empresas, no sentido de que elas ultrapassem os limites da sua atividade econômica e que se engagem na solução das demandas sociais das comunidades dentro das quais a empresa atua. Este é um movimento que ocorre no mundo todo e que tem como princípio o entendimento de que não apenas o governo deve assumir compromissos com o atendimento das causas sociais da população mas também empresas e cidadãos devem assumir a sua parcela de responsabilidade nesta área. E com o varejo, isto não é diferente.

Como exemplos de grande visibilidade podemos citar o McDia Feliz, que levanta fundos para atender a instituições que combatem o cancer infanto-juvenil no país, a Wal Mart que em 2009 ganhou o prêmio de Empresa Sustentável do Ano no Guia Exame de Sustentabilidade 2009, o Grupo Pão de Açúcar que desenvolve o programa Caras do Brasil que seleciona fornecedores de produtos sustentáveis produzidos por pequenas organizações, gerando renda, inclusão social e qualidade de vida e o Instituto Lojas Renner que visa buscar a inserção da mulher no mercado de trabalho por meio de projetos de capacitação e de geração de emprego e renda nas comunidades em que ela atua.

Apesar dos exemplos se referirem a grandes empresas, todo e qualquer negócio pode desenvolver programas sociais nas comunidades em que atua. Pequenos gestos podem gerar grande benefícios para certas comunidades, que retribuirão com a fidelidade de compra e com o reconhecimento da boa reputação da marca das empresas desenvolvedoras de tais projetos.

Para o bom funcionamento destes projetos, estudos de caso demonstram que muito mais eficazes do que simples filantropia acompanhada de propaganda são as parcerias entre empresas que possuem uma política corporativa de responsabilidade social e as organizações que atuam em áreas chave de alto impacto para a comunidade. Estas parcerias podem criar valor simultaneamente para a empresa e para a comunidade em que ela atua. Mas para que esta parceria funcione, é pré-requisito que o empresário ou os executivos da empresa possuam uma sólida e genuína cultura de responsabilidade social pois, caso conrário, as atividades correm o risco de serem percebidas como mera ação promocional enganosa.

Alguns princípios garantem a eficácia das ações de responsabilidade social, de acordo com artigo recente publicado pela McKinsey. Estes princípios são:

1. Concentre seus esforços de responsabilidade social corporativa: os recursos de tempo e financeiros para tais ações serão sempre limitados. As grandes oportunidades estão nas áreas onde o negócio interage de forma significativa com a sociedade, evidenciando a dependência mútua entre empresa e comunidade e também o enorme potencial de benefícios mútuos existente.

2. Desenvolva um profundo conhecimento dos benefícios esperados: uma vez selecionada a área de ação social, é necessário um profundo conhecimento dos benefícios sociais esperados, sempre buscando um entendimento das questões tanto do ponto de vista da sociedade como da empresa.

3. Ache os parceiros corretos: parcerias são difíceis mas quando ambos os lados percebem um potencial de ganhos, cria-se um potencial motivacional para a sua realização. Estes relacionamentos, especialmente quando realizados com uma visão de longo prazo e quando são construidos com base em uma visão realística das reais forças existentes de ambos os lados tem uma grande possibilidade de setornar um caso de sucesso sustentável no tempo.

Portanto, as questões que precisam ser corretamente avaliadas por parte das empresas são:

- Qual é ou quais são as principais áreas do negócio que possuem uma forte “interface” com o mercado onde ele atua e onde existem oportunidades significativas para ambos os lados no desenvolvimento de ações sociais que tenham alto impacto, tanto para a comunidade como para a empresa?

- Quais são as necessidades de longo prazo tanto para a comunidade como para a empresa e o que pode ser desenvolvido de forma consequente?

- Quais os recursos ou as capacidades que precisamos ter e o que temos para oferecer para o atendimento das necessidades diagnosticadas?

Uma resposta correta para estas questões podem em boa parte garantir que as ações de responsabilidade social a serem desenvolvidas pelas empresas gerem os benefícios sociais e empresariais esperados. Mas tudo depende da criatividade das pessoas envolvidas e de um alto grau de conhecimento das demandas socias da comunidade onde a empresa atua. A partir deste ponto, é por mãos à obra e se concentrar na qualidade da execução.


Alexandre Langer

Consultor Empresarial

CONVERGÊNCIA – Gestão Estratégica e Recuperação Financeira


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O Brasil decolou. E a sua empresa, está pronta para decolar com ele?



Parece já haver um certo consenso neste momento de que o Brasil finalmente se firma como potência emergente e de que ele deverá conquistar uma importância crescente nos anos que estão por vir, tanto política quanto economicamente.
O mundo está com os olhos voltados para as oportunidades de investimento e de crescimento de negócios representado pelos países membros do bloco que passou a ser denominado como BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

O Brasil tem ao seu favor o fato de possuir uma economia robusta cujos fundamentos tem se apresentado como sólidos ao longo de toda esta década. O Goldman Sachs prevê que o Brasil ultrapasse o PIB da Grã-Bretanha e da França lá pelos anos de 2.014 e São Paulo deverá ser a quinta cidade mais rica do mundo até 2.025, segundo a consultoria PwC.

Mas o quanto estes fatos são positivos ou negativos para o futuro das empresas brasileiras e quais são os riscos e oportunidades ocultos por trás destas tendências?

A verdade é que o Brasil possui uma estrutura empresarial privada com uma forte característica familiar, tanto do ponto de vista de gestão como do ponto de vista do controle acionário das empresas. Em muitos casos, este fato infelizmente pode ser sinônimo de um nível de profissionalismo abaixo do apresentado pelos grandes competidores internacionais.

Pelo grande número de empresas com capital fechado, o estilo de governança costuma estar abaixo do que exigem os grandes investidores internacionais em termos de transparência e “accountability”, entendendo este último fator como o sistema de prestação de contas aos sócios controladores ou a seus representados.

Pode-se prever um volume enorme de investimentos diretos no Brasil e com eles, surgirão grandes oportunidades para a expansão de negócios que já estiverem apresentando um grau maior de maturidade no seu estilo de governança.

É chegado o momento das empresas brasileiras começarem a pensar grande e considerarem as vantagens das associações de capital e empresariais com negócios internacionais como uma das melhores formas de alcançar um novo patamar de competitividade, dificultando o ingresso direto de operações estrangeiras que possam estar sendo atraídas pelo dinamismo de nosso crescimento econômico e pela dimensão de nosso mercado interno.

É momento de se pensar estrategicamente, de se planejar a inserção das empresas neste novo ambiente competitivo mais dinâmico e complexo e, mais do que nunca, é necessário que se invista na alta qualidade de gestão como principal força para o crescimento contínuo e sustentável dos negócios.

As empresas que souberam investir no aumento de sua competitividade durante o período mais grave da crise econômica, serão as primeiras candidatas a liderar o ranking das mais bem sucedidas nos anos que virão.

Se tivermos seriedade, bom senso e inteligência, será chegada a hora da empresa brasileira ocupar o espaço que merece na economia global. Mas apenas as mais competentes e eficazes chegarão lá.